• Higor Salles | Canal 8

Bairros de Campinas não recebem Sedex há seis anos

Cidade tem 103 CEPs com restrição na entrega do Sedex por causa de problemas de falta de segurança


Serviço de Sedex é feito com escolta em bairros de Campinas. (Foto: ACidade ON Campinas)

Há pelo menos seis anos, moradores de diversos bairros de Campinas sofrem para receber suas encomendas vias Sedex. Ou os pacotes demoram de uma semana até meses a mais para chegarem às casas, ou os próprios moradores precisam buscá-los nos postos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

A empresa federal informou que hoje 103 CEPs da cidade estão com restrições na entrega por falta segurança. Essas áreas são estabelecidas por um mapa de risco fornecido pelos órgãos policiais e pelo número de ocorrências contra carteiros.

A ECT não informa quais são os bairros onde as remessas de Sedex, mas o ACidade ON fez um levantamento que apontou que a maioria das localidades está nos distritos do Campo Grande e Ouro Verde. Em alguns pontos, as remessas são levadas com uma escolta armada.

O problema é antigo na cidade: em 2013, Campinas tinha mais de 130 áreas restritas. No ano passado, de acordo com os Correios, eram 102. Dono de uma empresa de informática, Carlos Alberto Von Ah tem diversos transtornos no Jardim Santa Terezinha, próximo ao Distrito do Ouro Verde.

"A entrega não existe. Há mais de cinco anos eles falam que a minha rua é área de restrição, isso porque antes tinha uma base da Polícia Militar ao lado da minha casa. Simplesmente não chega. Preciso pedir que minhas encomendas sejam entregues para um cliente no Jardim Guanabara, para depois eu ir buscar", explicou. De acordo com o Von Ah, as remessas demoram pelo menos 15 dias a mais do que o normal na sua rua.


O motorista Carlos Henrique Wurthmann, morador do Jardim Aeroporto, explicou que suas encomendas via Sedex são deixadas no centro de distribuição dos Correios ao lado do Campinas Shopping. "Eu pago para que a mercadoria chegue na minha residência. Mas eu tenho que perder meu tempo, gastar combustível, para retirar lá no Campinas Shopping".

INSEGURANÇA

Entre os carteiros, o clima é de insegurança. Um dos profissionais dos Correios que trabalha na região do Campo Grande falou com o ACidade ON, sob a condição de anonimato. Ele disse que foi assaltado apenas uma vez, mas que alguns colegas deixaram a empresa por não conseguirem ser transferidos para áreas de menos risco.

"É difícil, porque a gente anda quilômetros por dia, e é pior ainda trabalhar com essa tensão. Eu preferia levar só correspondências. Levar Sedex é sempre um risco a mais", contou.

Em setembro do ano passado, a 10ª Vara do Trabalho de Campinas condenou os Correios a pagar indenização por danos morais coletivos de R$ 500 mil a carteiros assaltados na região.

Além disso, a estatal é obrigada a prestar imediata de assistência médica e psicológica aos trabalhadores vítimas de assaltos, constrangimento ou violência, sob pena de multa de R$ 50 mil por trabalhador ou família não assistidos. O processo movido pelo Ministério Público do Trabalho, de 2013, conta com 187 ocorrências de assalto.

CORREIOS

Em nota, os Correios disseram que a restrição é temporária "e aplicada somente para a entrega de encomendas" e que a "violência foge da governabilidade da empresa". "Há, inclusive, um acordo de cooperação com a Polícia Federal para mapear quadrilhas, seu modo de atuação e, por consequência, realizar ações e apreensões de criminosos que praticam crimes contra os Correios", diz o texto.

A estatal informou ainda que periodicamente faz estudos para verificar se as condições de segurança das regiões voltaram à normalidade.

SSP

Já a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que "as polícias Civil e Militar realizam ações constantes em todo o município de Campinas, no combate aos crimes contra o patrimônio".  

Segundo a SSP, não foram localizados registros de ocorrências envolvendo os Correios recentemente. "É importante registrar o B.O para nortear ações preventivas em áreas vulneráveis e planejamento estratégico", diz o texto.


Fonte: Acidade ON

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