• Higor Salles | Canal 8

Em Campinas, lazer gratuito ainda não é para todos


No Sírius, moradores construíram brinquedos por conta própria: abandonados (Foto: Reprodução)

O artigo 24° da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que "toda pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres...". A frase é bonita, mas apenas uma realidade distante moradores dos bairros Sírius e Cosmos, na região do Campo Grande, em Campinas.

No começo de 2013, famílias saíram de suas casas localizadas em áreas impróprias para seus apartamentos no empreendimento Sírius, na região noroeste de Campinas. O local conta com 2,6 mil unidades.

Moradora do bairro há sete anos, a comerciante Margarida Maria de Paula reclama da falta de opções para lazer na região. "Não tem nada. É uma população abandonada pelo poder público", disse. "É revoltante. Deviam trazer a população, mas junto melhorias para o bairro".

Em 2014, a construtora que construiu o residencial assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para a construção de duas quadras poliesportivas no local. Caso não fizesse isso em 12 meses, a verba de R$ 800 mil seria repassada à Prefeitura, que ficaria responsável pela obra.

A construtora não construiu as quadras e a Prefeitura passou a ser responsável pelas obras, mas, desde então, nada foi feito.

Com a falta de opções, os próprios moradores decidiram tomar uma atitude. Por meio de doações e mão-de-obra voluntária, eles ergueram um pequeno parque com gangorras, balanços e aparelhos de exercício no terreno em que deveria existir as duas quadras poliesportivas.

"Foi há uns três anos. A associação do bairro se juntou e montou o parque", explicou Margarida.

A cuidadora Benedita Jacira foi uma das moradoras que ajudou na construção. "Todo mundo se ajudou. Teve gente que doou concreto, teve gente que doou comida e teve quem cozinhou para quem estava trabalhando", disse. "Mas passou o tempo e não teve manutenção, então nem tudo está com qualidade". Toldos que cobriam parte dos aparelhos foram levados pelo vento, por exemplo.  

JÁ NO TAQUARAL...

Tradicional ponto de lazer da cidade, o bairro Taquaral conta com a Lagoa, que não mede esforços para oferecer opções a seus frequentadores.

A aposentada Denise Pavan adora acompanhar a filha e o neto em passeios pelo parque. "É bonito, limpo e saudável", avalia. A filha, a comerciante Denise Pavan, concorda. "É uma ótima opção para um passeio. A gente sempre acaba vindo pra cá dar uma volta", contou.

Ao contrário dos moradores da região do Campo Grande, quem frequenta o Parque Portugal tem natação, hidroginástica, artes marciais, ginástica, dança, além das dezenas de festivais durante o ano.

O representante comercial Reginaldo de Paula treina musculação nos aparelhos do parque pelo menos três vezes por semana. "Eu corro pelo entorno e depois faço musculação aqui nos aparelhos", explicou. "Ao ar livre você conhece gente, se diverte, faz amizades. A Lagoa do Taquaral é tudo de bom. Ela é a minha praia", brincou.

Outro ponto diferente é a Caravela Anunciação, uma réplica da embarcação usada por Pedro Álvares Cabral na época das grandes navegações, começou a ser construída há 48 anos na Lagoa do Taquaral. A embarcação, um dos cartões postais da cidade, chegou a ficar cinco anos abandonada após afundar porque seu casco apodreceu.  

Ela passou por uma grande restauração e foi reinaugurada em 2014.  


Fonte: Acidade ON

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