• Higor Salles | Canal 8

Imagens feitas pelo Sirius ajudam contra covid-19


Foto: Divulgação/CNPEM

As estruturas em 3D captadas pelo superlaboratório de luz síncrotron de 4ª geração instalado em Campinas vão permitir que possíveis remédios contra a covid-19 sejam aperfeiçoados. As propostas de pesquisa serão agora analisadas.

O trabalho do Sirius identificou detalhes de uma proteína essencial para o ciclo de vida do coronavírus. Com isso, cientistas que desenvolvem medicamentos contra a doença podem entender melhor como o vírus age dentro das células.

O diretor geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais e diretor do projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva, explica que a técnica responsável pela obtenção das imagens utiliza uma espécie de feixe de raio-X.

“Pra que isso funcione, os pesquisadores têm que trazer um cristal composto da estrutura molecular de interesse. A gente colocou o feixe de raio-X sobre esse cristal e o que percebemos é equivalente ao que foi identificado no mundo”, diz.

Os dados foram colhidos na linha chamada Manacá, a primeira pesquisa ativa entre as 13 que foram iniciadas na pandemia. E o resultado é visto pelo CNPEM como a habilitação do funcionamento do acelerador brasileiro de elétrons.

Com isso, o centro, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, deve receber nos próximos dias propostas de cientistas interessados em usar a estrutura para estudar mais a fundo a criação de fármacos ou até mesmo vacinas.

Por isso a ideia é tirar do papel a próxima linha de pesquisa, a Cateretê, que usa técnicas de espalhamento de raio-X e que é capaz de produzir imagens únicas no mundo e detalhar todo o processo biológico que ocorre em uma única célula.

“A gente espera abrir uma segunda linha de luz provavelmente em agosto, que também vai ser importante contra o coronavírus. Então, o Sirius está aberto a experimentos ligados ao vírus, mas não a todas as áreas de estudo”, afirma.

Principal projeto científico brasileiro, o Sirius é capaz de analisar diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas e é um dos dois laboratórios de 4ª geração de luz síncrotron no mundo. O outro, MAX-IV, fica na Suécia.


Fonte: CBN Campinas

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